Soldados do Exército da África do Sul foram enviados para as ruas do país pela primeira vez desde o fim do regime do apartheid, em 1994, para tentar conter os ataques contra estrangeiros que já deixaram mais de 40 mortos. Exército e polícia fizeram sua primeira operação conjunta na manhã desta quinta-feira com buscas em três abrigos em Johanesburgo onde trabalhadores viviam, prendendo 28 pessoas e apreendendo drogas, armas e munição.
Segundo o correspondente da BBC na África do Sul Peter Biles, apesar das operações conjuntas com a polícia e Exército, ainda não se sabe quem são os responsáveis pelos ataques. Grupos de pessoas armadas vêm realizando os ataques desde a semana passada na região de Johanesburgo e cerca de 30 mil imigrantes abandonaram suas casas.
Pela primeira vez foram relatados ataques na região noroeste da África do Sul. Também ocorreram ataques na província de Mpumalanga, no nordeste, e em Durban. A polícia de Johanesburgo afirmou que a situação na cidade está mais calma. O governo do Moçambique forneceu ônibus para a retirada de 9 mil pessoas do país.
Leonardo Boby, vice-diretor nacional de imigração, afirmou que cerca de 3 mil pessoas voltaram a Moçambique por dia apenas nesta semana. Zimbabuanos também estão voltando para casa, preferindo se arriscar em seu país a permanecer na África do Sul.
Estima-se que a África do Sul abrigue de 3 milhões a 5 milhões de estrangeiros, a maioria deles originários do Zimbábue, de Moçambique e da Nigéria. Alguns sul-africanos alegam que os estrangeiros estão roubando empregos da população local e contribuindo para o aumento da criminalidade.
A oposição tem criticado o que classifica de falta de firmeza e de liderança do governo de Thabo Mbeki na administração do problema. Ainda nesta quinta-feira, o diretor-geral da Agência Nacional de Inteligência da África do Sul, Manala Manzini, afirmou que os ataques contra estrangeiros foram estimulados por movimentos que apoiavam o regime do apartheid. Manzini, porém, não apresentou nenhuma evidência concreta de sua tese.
Via: BBC Brasil
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